E de repente a gente se dá conta
de que as coisas estavam fáceis demais...
Pois é, estou deslumbrada e
encantada com o meu filhote e com a maternidade, mas (logo) chega a hora de
descobrirmos que as amigas mais experientes tem razão e que nem tudo são
flores!
Dia 30 de julho fomos à pediatra
pela primeira vez e, no meio do um milhão de dúvidas que tínhamos, ela
rapidamente falou sobre a grande vilã das primeiras semanas de vida dos babies:
a temida cólica. Deixou receitado o remedinho para o caso de eu precisar. E a
pergunta da mamãe de primeira viagem aqui: “e como vou saber se ele está com
cólica?”. A resposta da doutora: “Ah, não tenha dúvidas: você VAI saber”.
Com medo dessa certeza toda,
contentei-me com essa resposta evasiva e deixei o assunto prá lá. Afinal, dizem
que cólicas, só lá para os vinte dias de vida da criança. Affff... até lá são
tantas e tantas mamadas e trocas de fraldas que falta uma eternidade para
pensar nisso, certo?
ERRADO.
A cólica chegou. Mais cedo do que
o normal. Com nove dias de vida do meu lindão. E a pedi tinha razão: eu
instintivamente soube que era ela.
Ele chorava sofrido, doído.
Contorcia a barriguinha e agitava as perninhas. Fazia caretas de dor. E eu
chorava ao lado dele. Fazia massagens na barriguinha e de repente ele soltava
um punzão e o choro diminuía, por alguns minutos.
No desespero, peguei o remedinho
receitado pela médica e dei. Cerca de meia hora depois, ele acalmou.
E eu traumatizei.
Fui orientada por uma amiga mamãe
a cortar alguns alimentos da dieta, e assim eu fiz (chocolate, café,
refrigerantes, feijão, vegetais escuros e, o pior pra mim: leite e derivados).
Coincidência ou não, nos dias seguintes a coisa ficou melhor. Percebia a
dorzinha às vezes, mas em graus mais “leves”. E me socorri do Luftal quando
achei ser necessário.
E aí chegamos à madrugada de 06
de agosto. Ele passou o dia anterior muito bem, tranquilinho. Depois da mamada
da noite, tudo começou: ficou chatinho, resmungão. O resmungo evoluiu para
choro e todo o resto do primeiro dia. Corremos para o Luftal, mas dessa vez não
resolveu. Conclusão: bebê acordado e cada vez mais cansado, e eu com ele no
colo, tentando decifrar cada um de seus gemidos, e sem pregar os olhos a noite
toda.
Aí o cansaço começou a bater, e
você se vê dormindo em pé. Sempre tive muita dificuldade para lidar com o sono.
E, no meio da madrugada, junto com toda a frustração de ver seu filho chorando
sem saber o que fazer, a irritação me pegou de jeito. Marido acordou depois de
muito berreiro e, de cara feia, tirou-o do meu colo. E incrivelmente ele
começou a se acalmar. E aí entrou em cena o outro vilão da noite: a CULPA, e
sua estréia em minha vida de mãe.
Percebi que a minha irritação
estava deixando meu pequeno ainda mais irritado. E aí a culpa veio com o pacote
completo: me dei conta que minha irritação alcançou MEU FILHO! Meu pobre bebê,
indefeso e com dor, que só gritava pedindo ajuda, e eu ali irritada! Que
absurdoooo! Como é possível??? Ainda mais ele, que eu desejei TANTO, que eu
pedi TANTO? Me senti péssima com essa constatação e chorei, chorei, chorei...
Quando o papai saiu prá trabalhar
(com medo de deixar seu filhote com uma mamãe louca e quase histérica...), eu
só conseguia pegar meu pequeno no colo, abraçar, beijar e pedir muitas
desculpas pelo meu descontrole. E prometer que faria todo o possível para que
aquilo nunca mais acontecesse...
Depois de tantos pedidos de
perdão, consegui me acalmar um pouco e, com o passar dos dias, o sentimento de
frustração diminuiu. Mas ainda não foi embora por completo. E me pergunto,
agora, que níveis essa culpa toda pode alcançar em nossa trajetória como
“mães”.
Repito pra mim mesma que vou
sempre fazer o meu melhor para o meu filho; que o amo mais que tudo na vida.
Mas sei que teremos outros episódios de dúvidas e de culpa. Porque – tá certo, agora eu entendo... – isso vem
tudo junto no pacote “MÃE”.
E apesar dos tropeços e das
pedras no caminho, ainda assim já sei que vale muuuuito a pena!!!